quinta-feira, 20 de maio de 2010

Resenha de O PROCESSO

Obra escrita em 1915, O PROCESSO de Franz Kafka, autor este nascido em praga e aclamado historicamente por seus escritos, conta a história de um banqueiro, Josef K, que ao despertar pela manhã se vê cercado por policiais, que lhe vem decretar voz de prisão, mas o fato curioso é que apesar de preso deve continuar em casa e cumprido com suas obrigações. Sem entender, pois tudo isso lhe é dito com muita cerimônia, utilizando-se de locais improvisados, e percebe-se que mesmo o inspetor que lhe da voz de prisão não sabe muito bem o motivo pelo que o faz.
O senhor K, como é chamado no livro, sente- se muito confuso e até envergonhado pelo que acontece. Até ele ser chamado a comparecer para a uma reunião, na qual seu assunto seria discutido. O local marcado era cercado por casas, baratas e idênticas, ele entra em uma delas, onde sempre há muitas crianças, mulheres, o local parece um cortiço. Então ele encontra uma moça lavando roupas que o leva, com certa pressa, até uma sala repleta de pessoas que falavam bastante, sala esta que parece apertada e com o teto muito baixo o que dá ao personagem e ao leitor certa claustrofobia,, até que se começa uma serie de discussões, por vezes vazias, mas que levam o senhor K a querer se explicar, e ele o faz, mas o juiz ali presente discute com ele e o personagem acaba por sair dali meio que fugindo de toda aquela situação.
Mas uma semana se passa e nada ocorre e isso o deixa mais apreensivo a ponto de fazê-lo regressar ao local, mas ali não haveria sessões naquele dia, o que o leva a ter uma longa conversa com a mulher que lhe indicara a sala na semana anterior. E voltando aquela mesma sala ele descobre que o juiz tinha passado um longo tempo redigindo algo sobre o seu processo o que lhe faz olhar com maior seriedade o que ali ocorrera. Nesta parte da história notasse todo o improviso, bagunça e de certa forma sujeiras que existiam naquele lugar. Certo oficial que ele conhece neste mesmo local lhe conta sobre a desordem que existe naquele lugar, e também o leva a um cartório, um local escondido em condições precárias,neste local são tratados os assuntos burocráticos ele vê pessoas inebriadas como que sem consciência, que aparentam estar ali por anos, e dessa mesma forma que aos poucos ele vai se sentindo, a atmosfera do lugar o faz se sentir assim e ele passa se sente muito mal como se estivesse dentro de um barco, e mesmo sua audição é afetada naquele lugar, e espantosamente ao sair dali se sentir imediatamente bem. Quando ele faz estes relatos, é fácil recordarmos de como o sistema burocrático na justiça é lento, parece até que se vive em um sonho, e que aquilo nunca irá se resolver.
O senhor K, enfrenta problemas também em sua vida pessoal neste livro, ele se interessa por uma vizinha que não lhe da muita confiança e também em seu trabalho existe uma competição entre ele e um colega.
E é no banco que ele presencia uma cena dramática e incomum, em uma sala que ele imaginava que era para depósitos ele encontra três homens, dois deles estavam em seu apartamento no dia em que foi decretada sua prisão, aos quais o senhor K fez alusão no dia de sua audiência comentando sobre o tinha ocorrido, e os dois homens estava ali para serem castigados com açoites pelo terceiro homem, K se desespera, pois acha isso injusto e sente-se até culpado, mas acaba por deixá-los aos açoites pois acaba por ver que o sistema é mais forte que ele. Neste trecho nota-se as injustiças, mal entendidos da justiça e que muitas vezes levam pessoas que pouco tem haver com isso a se sentirem culpadas por terem se levantado contra esse mesmo sistema.
Nosso personagem tenta levar a vida normalmente, ocupando-se com seu ofício, até que o mesmo recebe a visita de um tio que já sabe de seu processo e que quer a qualquer custo ajudá-lo, pois toda essa situação é para ele uma vergonha para toda a família. Seu tio leva-o a um advogado.
Advogado este que esta doente, e que também não tem muita atenção por parte de K que na realidade se interessa pela enfermeira que cuida do enfermo advogado. Mas o tempo passa, ele continua a visitar o advogado, que parece não fazer nada pelo processo de K, além de ficar lhe prometendo vitória e desfecho breve. Advogado que “enrola” o processo, é comum na sociedade atual, ouvimos reclamações de que existem profissionais que parecem ser desinteressados e muitas vezes incapazes, que ao invés de lutar pela causa que lhes é proposta, parecem não saber que caminho seguir.
Senhor K, encontra-se preocupadíssimo sobre seu processo, atrapalhando até sua concentração no trabalho. Mas certo cliente diz saber sobre seu processo, e com a intenção aparente de ajudá-lo, indica-o a visitar um pintor que segundo ele, poderia aconselhar K acerca de seu processo. O mesmo praticamente abandona seu trabalho, para visitar o pintor.
Em um local distante e pobre, ele encontra o local, mas já nas escadas conhece três moças que lhe indicam o caminho ao pintor e fazem certa chacota sobre K. O pintor tem mil teorias sobre a justiça, e diz fazer parte da mesma e ter influência sobre alguns juízes. Em seu discurso ele fala sobre a dificuldade de se livrar de um processo, e como seria praticamente impossível a um julgamento totalmente favorável a K. Com o ar do ambiente já o sufocando, ele se levanta para ir embora mas o pintor aproveita para lhe mostrar alguns quadros, mas na pressa de ir ele leva tudo que o pintor lhe oferece, retornando ao banco com vários quadros nas mãos.
Após todo este tempo corrido e sem grandes respostas, o personagem K resolve dispensar seu advogado. Chegando tarde na casa do advogado ele conhece um pequeno e assustado homem, chama-se Block, que lhe fala sobre sua grande experiência em processos, já mantém um a cinco anos, e também este estranho personagem lhe confessa até um segredo de que tem mais de um advogado. Toda a conversa em que o senhor Block lhe conta de toda a sua dificuldade no seu processo de como tem se esforçado, dizendo até que seria burrice se desfazer de advogados, pois alguém sozinho nunca seria capaz mentalmente de se ocupar das coisas da justiça e ter uma vida normal. Quando senhor K entra para falar com o advogado lhe anuncia logo que vai despedi-lo mas este diz que tem grande apresso pelo senhor K e seu tio, e que lhe foi muito complacente lhe ensinando sobre várias coisas da justiça que ele assim seria até ingrato e para selar sua palavra ele chama ao senhor Block e lhe humilha como a um animal, fazendo lhe beijar seus pés, literalmente, para mostrar a K , como ele devia ser grato por tê-lo como advogado. Depois de toda a cena de desaforo contra senhor Block o advogado em meio a suplicas anuncia que o processo do mesmo nem ao menos começou, as vistas de um juiz, e vendo o desespero do réu, este começa a dizer-lhe várias coisas para mostrar-lhe que nada saiu da naturalidade. Visível aqui como muitos advogados se acham muito superiores aos seus clientes, pois os estes não entendem o tramite da justiça nem ao menos conseguem ler o que é dito em seu processo. Sendo que o advogado além de explorar-lhe financeiramente, também lhe flagela fisicamente e psicologicamente exigindo-lhe fidelidade.

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